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O fator Google ameaça o modelo dos portais

Não seria espantoso se os assinantes de provedores de acesso migrassem para uma combinação das teles com provedores de produtos americanos, como MSN, AOL, Yahoo! e Google. Algo para se pensar.

O Google se foca em produtos extremamente simples no uso, porém poderosos e eficientes. Cada vez mais ligados a nome e sobrenome de seus usuários, eles procuram realizar bem apenas as poucas tarefas a que se propõem. Para que isso passasse a ter a sensação de unicidade necessária a um pacote de soluções online completo, faltava um integrador de todos esses produtos, que garantisse a interoperabilidade de tanta eficiência. O Google Desktop, com seu sidebar, parece ser a resposta a essa demanda essencial.
Apesar de pouca gente ter percebido a importância desse movimento da empresa, ele não chega a ser exatamente revolucionário e o Google não é o único que caminha nesse sentido. Recentemente, a AOL americana liberou o seu conteúdo editorial total e gratuitamente, rompendo um modelo econômico de 20 anos, que pregava que ele era exclusivo de seus assinantes. O império online massificado por Steve Case parece disposto a se concentrar em seus produtos, em detrimento de seu conteúdo, para definir seu diferencial: liberam as funções essenciais e reservam o “crème de la crème” a quem assinar seu serviço.
A MSN parece seguir o mesmo caminho, investindo pesadamente nas últimas versões do Hotmail, do Messenger e especialmente do MSN Busca, concorrendo justamente com o Google nesse mercado de buscadores que é considerado o filé mignon da web.
Aparentemente, essa nova onda ainda não chegou aos portais brasileiros, que continuam insistindo em investir em conteúdo editorial como a principal forma para reter seus assinantes ou mesmo conseguir novos. É uma clara influência do UOL, que sempre apostou em seu conteúdo como diferencial. Apesar de não ser mais o líder do mercado brasileiro, é certamente um nome com uma autoridade enorme sobre os outros players locais.
O fato é que os portais brasileiros têm negligenciado bastante a questão de produtos online de alta qualidade, principalmente se comparado ao que temos visto no exterior. Os produtos locais estão uma ou duas gerações atrás dos equivalentes americanos, perdendo mesmo para produtos gratuitos, oferecidos irrestritamente, como é o caso do já citado GMail.
Essas empresas ainda não desenvolveram a consciência da importância de se ter a “identidade virtual” de usuários (assinantes ou não) em torno de sua marca. Continuam vendendo (ou dando), como principal produto, o acesso à internet, uma herança infeliz de um produto que é, na realidade, parte do portfólio das teles. Acham que isso irá “amarrar” seu assinante à marca.
Vale a pena ler o artigo completo no [Webinsider]

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