Microsoft prestes a comprar o Yahoo?

Esse é o tipo de rumor bombástico que exige uma análise profunda. Conforme vários sites anunciaram nos últimos dias, a Microsoft parece estar disposta a jogar pesado e adquirir uma das maiores empresas da web por um valor absurdo. Mas para que fazer isso?

Para responder a esta pergunta, é preciso analisar o mercado a fundo. De onde a gigante de Redmond tira seus lucros? Onde a Microsoft é lider? É fácil responder: no mundo dos sistemas operacionais. Ainda que a empresa atue extensivamente nos mais variados cenários, o carro-chefe continua sendo o Windows. Sistema que, em essência, permanece o mesmo desde o lançamento.

Cabe aqui uma pergunta crucial: porque usamos Windows? Certamente não é por conta da qualidade (?), segurança (?) ou eficiência (?) alegadas pela empresa. Não, não mesmo. Usamos Windows porque todo o mundo usa. E desse uso compulsivo desponta um mercado de tecnologia vivo e fechado.

Imagine-se como um desenvolvedor de software prestes a iniciar um projeto e em dúvida quanto ao sistema a ser escolhido. Você olha para o mercado e lá está o Windows: líder, indubitável, com mais de 90% de mercado de desktops. Do outro lado do ringue, toda a sorte de espécies “ameaçadas de extinção”: Pinguins, Leopardos, Tigres… Onde apostar as fichas? No Windows.

Coloque-se, então, na posição do usuário típico. A você, não importa o nome ou a marca do sistema. Só importa que ele atenda às suas necessidades e faça tudo de que você precisa ou venha a precisar. O que você escolhe? Windows. Escolhe pela oferta de aplicativos.

O Windows é o que é devido aos softwares que rodam nele, não ao produto em si. Qualquer ameaça ao ecossistema desenvolvedor-usuário-windows é uma ameaça ao monopólio da Microsoft e a seus milhares de parceiros. E há duas maneiras de se fazer isso:

1. Sun Java

E se vivessemos em um mundo em que qualquer software rodasse em qualquer sistema? É esse o projeto dos engenheiros da Sun: “Escreva uma vez, rode em qualquer lugar”. Nesse caso, cada potencial comprador poderia escolher o sistema que atendesse melhor às suas necessidades. E cada desenvolvedor poderia criar seus aplicativos sem o transtorno de ter que reescrever milhares de linhas de código para cada nova vertente de sistema. Você escolheria Windows, mesmo com alternativas gratuitas que rodam os mesmos programas? Muitas pessoas não.

É por isso que a Microsoft investiu milhões na iniciativa .NET, um sistema “multiplataforma” com alguns recursos inovadores e outros não tão inovadores assim (isto é, um sistema em tese capaz de ser multiplataforma, mas sem nenhuma implementação 100% funcional disso). A idéia é superar a tecnologia da Sun para impedir que os programadores criem softwares que não dependam do sistema da Microsoft (nem de sistema algum).

2. Migração de serviços para a web

É aqui que o Google atua, e prospera em velocidade inacreditável. Também é aqui que se encontra a maior ameaça ao poder da Microsoft. Talvez a maior ameaça que seus executivos tenham enfrentado nos últimos anos.

Cada vez mais, nossas vidas tornam-se online. No mundo todo, cresce a velocidade das conexões e o uso de serviços de internet. Mas afinal, que são esses serviços de internet?

No fundo, são aplicativos. Aplicativos que exercem o mesmo papel de muitos daqueles sobre os quais está erguido o edifício-windows. E fazem tudo isso de forma móvel, segura e colaborativa. Mais do que isso: o fazem independentemente do sistema operacional do usuário. E se o sistema não faz diferença, pra que Windows?

Cada serviço inaugurado nessa nova bolha da web atua como uma pequena dinamite, que explode diretamente nas fundações do modelo de negócios que fez de Bill Gates o homem mais rico do mundo. E só a Google tem dezenas dessas bombas em suas mãos.

Como frear a empresa de tecnologia que mais cresce no mundo e sobrevier à perda de importância de seu principal produto? A primeira solução foi o Windows Live. Só que o Live não pegou. Restou à Microsoft a compra de alguma gigante do setor. As gigantes são Yahoo e Google. E a Google à essa altura é praticamente incomprável.

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4 ideias sobre “Microsoft prestes a comprar o Yahoo?

  1. Olá,

    Antes de mais nada, gostaria de dizer que não sou defensor da Microsoft, embora eu aprecie o Windows e trabalhe com a plataforma .NET para desenvolvimento web e client/server.

    Discordo de você quando diz que o Windows não é o que é devido ao produto em si.

    É claro que ele apresenta diversos problemas – a maioria devido ao fato de a Microsoft ter optado por mantê-lo compatível com n hardwares e softwares (o que não ocorreu, por exemplo, com o Mac OS, que utiliza hardware e software específicos), mas é fato que além de ter se tornado um produto robusto, ele é um produto relativamente simples de ser utilizado pelo usuário leigo.

    Só para fazer uma comparação (e já sabendo que há versões(?) do Linux disponíveis que possuam quase todas as facilidades do Windows), qualquer usuário leigo que se atreva a instalar o Linux em uma máquina deverá se deparar com uma questão crucial: que distribuição instalar, entre as várias que existem por aí?

    De qualquer forma, acho que esta pegação de pé em cima da Microsoft já está ultrapassada… afinal, em uma sociedade capitalista como a em que vivemos, que mal há em uma empresa cobrar por produtos desenvolvidos por ela para quem quiser comprá-los? Hoje a oferta de similares gratuitos é suficientemente grande para garantir que o usuário possa ter alternativas à compra de um produto MS…

    Abraço,

    Eduardo Bueno.

    Em tempo: A idéia do Java é até boa, porém sua implementação é complicada… embora haja muitos casos de sucesso no ambiente web, aplicações desenvolvidas para o ambiente client/server têm performance sofrível… e o conceito de “multiplataforma” que é mencionado não é algo tão simples nem transparente como o projeto tenta passar…

  2. Eduardo, discordo do ponto de vista do windows ser ótimo para o usuário leigo. Pegue uma distribuição do Ubuntu Linux ou do Kurumin por exemplo, e coloque ela para alguém que nunca usou um computador, e você vai se surpreender, a facilidade e limpeza é bem melhor. Claro que quase todo mundo começa com Windows, até nas escolas de ensino fundamental os alunos aprendem windows já, então realmente torna-se mais ‘natural’, ou mais fácil, o que dá para se discordar se você analisar do ponto de vista da interface em si. No caso do Ubuntu Linux que é a que uso, instalar um programa nele é feito com 2 cliques, sem qualquer comando, e o programa é baixado da internet diretamente (ou de um dvd se preferir). Como o artigo diz, o windows é o que é pelos programas que rodam nele. E a compatibilidade de hardware nele é péssima, o Linux acha meus hardware automaticamente enquanto no windows tenho que instalar. Aliás, essa robustez é furada, visto que todos os hardware que você compra vem com driver para windows, ou seja, o windows em si nem suporte a hardware tão bom tem.

    E sobre Java, não acho que aplicações client/server tenham performance ruim, o grande problema é que a biblioteca gráfica de UI do Java mais usada é a Swing, e por ela não ser carregada nativamente no SO é que a aplicação torna-se tão pesada. Existem boas alternativas, tanto a UI como para a plataforma, como Python que é largamente usada pela google no sistema de busca e no youtube, que é multiplataforma e possui uma ótima combinação, GTK (instale o GIMP no seu Windows e veja se é lento), além de outras soluções como Ruby e QT.

    Sobre distribuição Linux, procure a que se encaixa a você: algumas são para desenvolvedores, outras para usuários leigos, listas sobre elas na internet é o que não falta.

  3. No final você acabou não explicando o motivo da compra.

    É lógico que é pra aumentar a participação no mercado, mas todas as fusões e aquisições de empresas tem isso implícito.

    Primeiro fazem um clone piorado do Google no Live.com, agora compram um portal. Afinal, o que eles querem? Ganhar clientes a força como eles fazem com o Windows?

    Acho que uma compra do Yahoo pela Microsoft favoreceria o Google, que vai ter menos um concorrente. Até porque a competência que a Microsoft mostrou com o Live não segura o Yahoo.

  4. Como qualquer grande empresa, a Microsoft procura pensar sempre no futuro dela mesmo. Se o futuro são os sistemas 100% online, a Micro$oft deverá ter um produto 100% online, caso não consiga criar, ela compra ou aproveita uma idéia já existente e dah um pequeno tok de melhoria (ou muitas vezes, maquiagem) – o caso do windows vista que é o xp mais “bonitinho”.

    O google faz a mesma coisa (ou algo parecido), ela sai comprando grandes empresas (ou portais) para aumentar sua capacidade de saber o que nós (pobres usuários) fazemos na internet, afim de publiciar anúncios – adsense – relevantes e, como consequencia, ganhar em cima de nós.

    Não vejo muito alarme em relação a isto, afinal, é um procedimento que vejo como “padrão” pelas grandes empresas: compre concorrentes que estão prestes a falência e adicione capital para torná-los grandes, e, no final, ser um concorrente/parceiro.

    Vamos ver e esperar no que isto vai dá.

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