A Estônia voltará a ser um país frio, distante e despovoado.

Nas décadas de 70/80 o Brasil assistiu ao seu maior êxodo, nordestinos migravam do castigado sertão para as grandes metrópoles na busca por um lugar ao sol. O fim dessa história todos já sabem; tal êxodo resultou no aumento da miséria e da desigualdade social nas grandes metrópoles brasileira, a maior parte dos “refugiados da seca” alcançou o sub-emprego servindo como base para o crescimento da burguesia.

No início do século XXI assistimos a explosão da vida digital, estamos – todos – cada vez mais conectados, ávidos por novos gadgets, widgets e qualquer engenhoca que possibilite a socialização virtual. Para muitos um chopp no boteco já não têm mais o mesmo sabor se não for acompanhado por um celular que, no mínimo, tenha acesso Wi-Fi para possibilitar que “twitemos”, afinal Twitter agora é verbo.

De fato me senti um pouco nordestino, imigrante e refugiado quando arrumei meu Orkut e parti para a Estônia. Alguém havia me contado sobre sua nova vida – digital – por lá. Realmente era um típico cenário de primeiro mundo, mas na Estônia? Pensava em um país, frio, atrasado, ditador, tudo totalmente desinteressante. Mas, parti para lá.

Ah! Se no êxodo nordestino já existisse a Google. Na realidade a gigante de Moutain View se exilou na Estônia para correr atrás de um imenso prejuízo causado por um novato chamado Facebook. A história entre o Facebook e o Orkut também é conhecida. Fui um daqueles que desprezou o Orkut – durante pouco tempo – para flertar com o Facebook.

O novo conceito de rede social impressionou a rede, nos EUA onde o Orkut nunca foi nada a plataforma de Mark Zuckerberg bombou, assim como na Europa e em países desenvolvidos. Mas, era na Estônia que acontecia uma pequena revolução. Não esqueço a quantidade de amigos que encontrei por lá, incrível. Alguns estavam de férias, outros estudavam, vários caíram de pára-quedas.

O mais interessante do Orkut, para nós brasileiros, é a abrangência da rede no território nacional. Somos 19 milhões de brasileiros – mais de 60% dos usuários de internet e mais de 10% da população do país. Dessa forma era interessante estar lá observando como tudo funcionava em um universo menor.

A notícia que poderíamos retornar ao Brasil para desenvolver aplicativos sociais para brasileiros chegou em abril. Desde então era sempre amanhã – vai abrir no Brasil – ou ontem – ia abrir no Brasil. Depois de vários adiamentos chegamos na data de 10 de julho, amanhã.

Acredito na potencialidade viral do Orkut em terras tupiniquim, o Brasil já provou ser um país adepto a viralidade virtual, Katilce e Cicarelli que digam. Percebo que o caminho será longo, ainda existem diversos impedimentos técnicos, políticos, culturais e pré-conceituais. Mas todos os paradigmas serão quebrados pelo o anseio da conectividade que cada vez mais se torna pré-requisito para a comunicação.

Não posso mentir dizendo que não estou com as malas prontas para partir, mas prefiro ver os amigos partirem na frente para poder apagar as luzes. Por enquanto fico por aqui.

Não entendeu? Leia isso e escute isso.

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