Sobre lucianacouto

Mestranda em Jornalismo, analista de marketing digital, webwriter e geek nas horas vagas. Trabalha atualmente na Fivecom, empresa de soluções em Web 2.0 e mantém um blog pessoal.

Orkut: do jeito que brasileiro gosta

Hoje participei da discussão no Google Discovery sobre os motivos pelos quais o Orkut é um sucesso no Brasil (e na Índia) e não em outros países do mundo.

Segundo uma declaração  recente da Marissa Mayer, vice-presidente de Pesquisa de Produtos e Desempenho dos Usuários no Google (ou resumindo, a nossa geek preferida), isso acontece simplesmente por causa do fuso-horário. Tudo porque os brasileiros e indianos acessam a internet massivamente em um horário diferente aos dos países mais desenvolvidos, o que fez com que o Orkut oferecesse uma experiência mais satisfatória aos usuários daqui que de países onde o tráfego é concentrado em outros períodos.  Resumindo: a gente acessa o Orkut na “madrugada” deles.

Eu discordo. Já falei e volto a repetir: o Orkut faz sucesso no Brasil porque é simples! Compare com o Facebook e em cinco minutos você irá concordar comigo. Apesar de o Facebook ter muito mais funcionalidades (muitas delas depois copiadas pelo Orkut), o layout não é tão intuitivo e fácil de usar como nossa rede social preferida aqui no país.

Tá certo que o Orkut não é lá o site mais bonito do mundo, mas é funcional e permite que a maioria das pessoas, com os mais diversos graus de familiaridade com a web, aprenda a usá-lo rapidamente. Se você entra no Facebook pela primeira vez, provavelmente ficará perdido entre tantas opções e sem saber exatamente aonde ir.

Pesa também o fato de o Orkut ter sido traduzido para o português muito antes do Facebook e vale lembrar que muitos usuários deste fizeram uma campanha para que não fosse traduzido, justamente para que ele não se popularizasse no Brasil, como o Orkut.

Mas também há outro fator que acho determinante: o Facebook é muito mais frio. Basta entrar no Orkut para ver as carinhas dos nossos amigos ao lado, os aniversariantes embaixo, etc. É realmente como estar numa “rede social” com pessoas de verdade. No Facebook não “vemos” as pessoas tão fácil e, por mais que possamos seguir via streaming quase tudo o que nossos contatos fazem, é praticamente impossível obter detalhes da vida de quem não nos autoriza a ser amigos. Ou seja, não permite um dos nossos passatempos preferidos: bisbilhotar a vida alheia.

Popularity: 59% [?]

Google: o sonho acabou?

sonho-acabou

Há alguns anos o nome Google é ligado a expressões positivas. Para uns é sinônimo de sucesso, para outros de prosperidade e até mesmo alegria. Afinal, não é comum ver uma empresa – relativamente nova, diga-se de passagem – quebrar tantos paradigmas e se posicionar com uma imagem tão sólida quanto carismática. A Microsoft pode ser lembrada por ser líder no seu segmento e ser responsável por colocar Bill Gates algumas vezes no topo da lista dos homens mais ricos do mundo, assim como a Apple é lembrada por seu poder de gerar fanáticos em torno de uma marca e estar sempre na vanguarda. Mas o Google tem os dois lados da moeda. Pelo menos tinha.

Talvez não tenha sido tão surpreendente quando a companhia começou a anunciar seus “ajustes” para enfrentar a crise mundial, já que estávamos nos acostumando a notícias parecidas vindas de muitas empresas de informática e outros setores. Mas mesmo assim, talvez porque não quiséssemos imaginar a crise para o Google na tentativa de manter o sonho de empresa perfeita intacto, não esperávamos que o gigante fosse afetado.

Começou com os rumores de que o Google estaria cortando algumas regalias (ou seria luxo?) dos funcionários em grandes sedes como Nova York e até a de Mountain View. Já no final do ano passado, a companhia anunciou o cancelamento de contratos temporários e no início deste ano reduziu bastante a sua equipe de recrutamento, já que segundo a própria companhia, o volume de novas contratações não era mais o mesmo. Para completar, o blog TechCrunch divulgou, semana passada, e-mails de ex-funcionários que não se sentiam tão satisfeitos em trabalhar na empresa modelo; e a caída no ranking da Forbes de 1º para 4º posto das melhores empresas para se trabalhar parece ter oficialmente acabado com uma era.

Até mesmo as famosas “super compras” do Google ficaram estagnadas e o que vimos nas últimas semanas foi uma sucessão de descontinuidade de produtos que não traziam retorno financeiro para a companhia, ou não fizeram tanto sucesso com os usuários. O próprio Orkut, o queridinho dos brasileiros (só dos brasileiros e dos indianos) continua como patinho feio, vendo seu aniversário de 5 anos passar praticamente em branco. Nem é tão difícil de entender, mesmo com a recente adição de publicidade, o site ainda não dá dinheiro suficiente ao Google.

O que dá dinheiro mesmo (e muito) continua sendo a dupla Adsense-Adwords e é por isso que o Google está cada vez mais atento em garantir que a fórmula continue dando certo. Posts nos blogs oficiais da companhia com tutoriais e dicas sobre os dois programas nunca faltaram e parecem que estão longe de acabar. Em tempos de crise, o Google tem justamente o que as empresas estam precisando: meios baratos e eficazes de divulgar sua marca para um público mais segmentado.

Eu particularmente não gosto desse clima alarmante, como se a crise mundial fosse um daqueles filmes de Hollywood em que um desastre vai acabar com a terra em poucos dias, mas precisamos encarar os fatos: há reflexos negativos em grandes empresas, vide Microsoft e Intel. E mesmo que no Brasil ainda não tenhamos sido afetados diretamente, não dá para ver os acontecimentos isoladamente.

Então o que fazemos? Entramos em desespero? Não. Acho que a fórmula está aí na nossa frente. Quando uma crise toma grandes proporções, muitos segmentos são ameaçados, mas SEMPRE aparecem novas oportunidades. E para mim o caminho é o mesmo que o Google está seguindo: as novas mídias e principalmente, novas formas de publicidade. Não é novidade que a publicidade online veio também para quebrar paradigmas e abrir novos horizontes. É ainda muito mais barata que as mídias tradicionais e oferece um controle e um direcionamento das ações indispensáveis em tempos difíceis, quando temos que medir bem nossos gastos.

A descontinuidade do Google Print Ads indica o caminho. Já não acreditamos mais que a publicidade tradicional (nem os meios tradicionais) vai acabar, mas mais do que nunca precisamos apostar no meio online e confiar que temos oportunidades e ferramentas suficientes para superar os tempos de crise.

Agora, respondendo: o sonho acabou? Não. Talvez a fase não seja a melhor, mas o Google tem vários projetos – além da dupla Adsense-Adwords – que prometem garantir sua hegemonia na internet e em móveis. Novas idéias estão sempre surgindo e, na maioria dos casos, elas dão bons retornos para a companhia. Resta a nós seguir o exemplo.

Popularity: 77% [?]

Mais um passo para o Flash

Uma das primeiras coisas que me disseram quando comecei a aprender SEO foi :”o Google não gosta de Flash”. Por mais que o buscador não tenha preconceitos, é fato que o robô realmente não pode ler esse tipo de arquivos e interpretá-los por completo. Ainda hoje, passados anos, são longas as discussões sobre um dos formatos preferidos dos designers e o pesadelo de profissionais de otimização. Até mesmo no último Google Search Marketing o tema esteve presente em muitas das perguntas dos participantes.

Uma solução simples, ainda que limitada, é fazer dois sites: um em flash para os usuários e uma versão “amigável” para o robô. Mas convenhamos que isso não é uma solução, é, no máximo, um improviso. E mesmo resolvendo o problema da indexação, fica a impossibilidade de obter dados de acessos completos.

Pelo menos este segundo inconveniente parece ter sido resolvido. Como prometido, o Google e a Adobe uniram forças e o resultado é o anúncio do Google Analytics Tracking for Adobe Flash, uma solução que possibilita receber dados de acessos de arquivos em flash. O código de rastreamento do Analytics foi traduzido para a linguagem ActionScript 3, o que permitirá todas as funcionalidades que já existem na versão original.

Os exemplos citados no vídeo postado pelo blog do Google Analytics (em inglês) explicam muito bem como funcionará a ferramenta:

Não é novidade que as duas empresas estão trabalhando em conjunto há alguns meses para trazer avanços na “leitura” de arquivos em flash, mas esta nova ferramenta é o primeiro resultado “paupável”. Mesmo com o anúncio de indexação feito em junho pelos engenheiros do Google, usar texto puro continua sendo a melhor estratégia para garantir um bom posicionamento do site em mecanismos de busca. Poder ver números reais de acessos a um arquivo em flash no Analytics vai não só ajudar a analisar dados de campanhas, mas também testar os avanços do Google quanto à tão discutida questão do flash.

Ainda é cedo para comemorar, mas já podemos ter esperança de que um dia o robô poderá interpretar qualquer tipo de arquivo da página. Afinal, dá um aperto no coração ter que dispensar peças excelentes (que talvez causariam muito mais impacto no internauta) por causa do posicionamento.

Popularity: 60% [?]

Google estréia anúncios de vídeos no Youtube

Era uma vez uma idéia de dois amigos: juntar todas as informações da web e apresentá-las de forma rápida e fácil para os usuários em busca de informações espalhadas (nessa época) em milhares de sites. O sucesso foi tanto que hoje nos questionamos se houve vida na internet antes do Google. Como todo esforço e, principalmente, boas idéias devem ser recompensados, logo veio um plano de negócio para a nova ferramenta: além dos resultados oferecidos pelo serviço gratuito, por que não aproveitar um pouco do espaço para vender publicidade? Outra idéia fantástica que se converteu em êxito e transformou os dois amigos não só em milionários, mas também em ícones de um novo panorama econômico.

Então vieram outros três (ou seriam quatro?) amigos que criaram um novo site de sucesso: o Youtube. A febre se espalhou rapidamente, ajudada pela popularização da banda larga e de equipamentos de produção de vídeo (câmeras digitais baratas, celulares, webcams…), contrinuindo para que cada vez mais pessoas se envolvessem com a idéia de compartilhamento de material audio-visual na rede. Segundo dados do Google, atualmente, a cada minuto, mais 13 horas de vídeos são adicionadas ao site.

Os amigos do Google – já profissionais nesse momento – aproveitaram a idéia dos novos amigos e compraram o Youtube em outubro de 2006, pelo qual desembolsaram US$ 1,6 bilhão. Mas os grandes números param por ai. Desde a aquisição, o Google não conseguiu implementar um plano de negócio que justificasse o valor da compra e trouxesse lucros à empresa. Pelo menos não até hoje.

Seguindo a velha tática do “não perca tempo reinventando a roda” a companhia decidiu fazer negócio com o que mais entende: resultado de buscas. Sim, depois de algumas tentativas frustadas por rejeições de usuários, o Google acaba de anunciar os anúncios de vídeos do Youtube.

A novidade (ou não) que o diferencia das outras experiências é que essa não interfere nas atividades do usuário. Ele não precisará esperar um anúncio antes de ver o vídeo que deseja e nem verá sua tela tomada por anúncios de texto. A dinâmica é praticamente a mesma dos resultados da página central do Google: de um lado os resultados naturais, do outro os pagos.

Explicando melhor: ao procurar um determinado termo, o Youtube continuará apresentando os vídeos adicionados por usuários que são relevantes à procura, mas além deles também mostrará vídeos feitos por anunciantes e pagos por cliques.

A idéia parece boa, pois segue a mesma lógica do AdWords: o anúncio é mostrado para um público que já está procurando um determinado produto e, portanto, as chances de “convencê-lo” são maiores. Nada mais natural que fazer isso no mesmo formato de mídia que o internnauta está buscando.

Mas ainda não vejo um sucesso tão próximo. Isso por duas razões básicas. Primeiro, quando estou procurando algo e aparece um anúncio do AdWords ao lado com a palavra-chave, provavelmente eu me sentirei atraída e vou ler o anúncio inteiro, ou seja, a mensagem será passada por completo na maioria dos casos. Tería que ser um anúncio muito ruim para me fazer desistir na metade de três linhas. Já no vídeo será mais difícil chamar a atenção. Acho que os anunciantes terão que ser muito criativos em criar imagens de início instigantes e ainda prender o usuário até o fim da mensagem.

O segundo problema é um clássico de quase tudo o que é novo na internet: tecnologia. Pelo menos no Brasil ainda não é a maioria que tem acesso à banda larga de qualidade e isso piora bastante a experiência do usuário. Dou o exemplo da minha casa. Eu moro no Espírito Santo, onde a maior velocidade para internet residencial é de 1Mb. Tenho essa velocidade e cada vez que quero ver um vídeo no Youtube tenho que esperar alguns segundos (muitas vezes minutos) para carregar e vê-lo por completo. Sinceramente não sei se me daria o trabalho de fazê-lo para ver anúncios.

As campanhas mais bem sucedidas até hoje na internet foram virais. Uma pessoa achou legal e recomendou a um amigo, que recomendou a outros… e assim vimos desconhecidos, histórias inusitadas e muito mentos com coco-cola se espalharem pela web como um vírus mesmo. Acho que continuará assim, mas lógico, os anúncios do Youtube serão muito mais direcionados a um público alvo específico, que uma vez atingido, estará mais propenso a consumir.

Para os anunciantes o procedimento é bem parecido ao do AdWords: escolha das palavras-chave, público alvo, CPC, orçamento diário, anúncio… Só que na hora de escolher o target… está disponível somente para os Estados Unidos por enquanto. Teremos que esperar para ver como o público brasileiro receberá a novidade e saber se o Youtube, finalmente, dará algum retorno ao Google.

Fico na torcida, pois como freqüentadora assídua do Youtube, quero que o serviço continue sendo oferecido com a qualidade (ou até melhor) que tem hoje e entendo que isso tem um custo muito alto. Mas ainda não consegui visualizar uma forma de recompensa para os produtores de conteúdo, pois a maior parte do sucesso do site se deve aos milhares de anônimos que criam vídeos vistos por milhões de pessoas no mundo inteiro e ainda não receberam um centavo por isso.

Popularity: 42% [?]

Google abre inscrições para concurso de publicidade

O Google abriu as inscrições para o Online Marketing Challenge 2009. Até o dia 23 de janeiro, estudantes de todo o mundo podem se inscrever em grupos e apresentar estratégias de marketing para a web.

Os criadores das melhores campanhas em escala mundial ganharão uma viagem ao Googleplex em Mountain View, California. Os vencedores locais poderão conhecer as sedes de seus respectivos países.

O Google oferecerá US$ 200 de crédito no programa AdWords para cada grupo colocar em prática o seu projeto. Em 2008, cerca de 1600 estudantes de 47 países participaram do concurso.

Popularity: 16% [?]

Google AdPlanner: ainda há muito por fazer

Há três meses o Google lançou o Google Adplanner. Eu corri para me inscrever e fiquei muito empolgada quando me aceitaram para usar a versão beta. Mas infelizmente, a minha impressão não foi tão boa. Achei que faltava mais utilidades na ferramenta, pois os recursos que me pareciam mais importantes ainda não estavam disponíveis no Brasil.

É claro que nem tudo é responsabilidade do Google, as métricas na internet brasileira ainda são muito prejudicadas pela falta de parâmetros quando o assunto é IPs, dados estatísticos ou localização geográfica, o que prejudica em cheio a proposta de targeting especializado do Google Adplanner.

Aqueles que já trabalham com o Adwords há algum tempo devem se lembrar de quando a expressão geotargeting era novidade. Eu pelo menos ficava pensando que bom seria poder segmentar minhas campanhas por regiões, como já acontecia no Estados Unidos. Passados alguns anos, hoje já é possível fazer isso, mas esbarramos em algumas limitações técnicas. Ou seja, já vemos uma luz no fim do túnel, mas ainda estamos atrás de outros lugares do planeta.

A mesma coisa acontece com o Adplanner. A idéia é muito boa, mas ainda faltam funcionalidades que nos ajudariam muito mais. É frustrante para um usuário ver opções inativas com a mensagem “ainda não disponível para a sua região”. Bem, pelo menos esse problema não temos mais, pois agora as opções para segmentar por gênero e idade nem aparecem (no início eles estavam lá, mas não funcionavam).

Já o sonho do geotargeting parece mais concreto. Testei esta semana e a ferramenta já apresenta os dados segmentados por estados e até por cidades medianas. Mas outras opções ainda parecem sonhos distantes. Quando mudamos a configuração da conta e selecionamos Estados Unidos como audiência, podemos ver todas as funções habilitadas, inclusive as segmentações por gênero, idade, grau de instrução e renda familiar. Como fariam funcionar isso no Brasil?

No final das contas, os dados hoje apresentados ajudam um pouco no nosso trabalho, mas não são tão determinantes. Para acrescentar, não confio muito nos números apresentados, pois além de serem arredondados, há valores que me fazem desconfiar – especialmente de sites aos quais tenho acesso aos dados do Google Analytics -, mas enfim, não posso confirmar o de todos para saber até que ponto estão corretos.

Eu resumiria dizendo que o Google AdPlanner veio para somar, mas não é imprescindível. Fica a esperança de um dia contar com dados mais profundos e confiáveis e a partir daí, saber exatamente onde estamos pisando quando planejamos uma campanha online no Brasil.

Popularity: 17% [?]