Gears, a nuvem e a mobilidade

Caro leitor, caso você esteja vivendo em Marte ou algum outro planeta qualquer no último ano, tenho uma notícia bombástica: os softwares que costumávamos instalar em nossos computadores migraram para a web! Estamos na era do “tudo online”: nossas agendas estão na web, nossos projetos, contatos, editores de documentos, fotos. Uma maravilha, já que podemos acessar tudo de qualquer computador, a qualquer hora, onde quer que estejamos. Isso tudo é a tão aclamada “nuvem”, orgulho dos entusiastas da tal “web 3.0” ou seja lá qual for seu nome. Não precisamos mais de programas, basta um terminal fixo ou móvel qualquer e uma conexão disponível.

Bem, aí é que está o problema… uma conexão disponível. Se queremos nossas informações em qualquer lugar, estamos à mercê das conexões móveis – ruins, lentas, inconsistentes. Pensando bem, as conexões físicas não são muito diferentes. Todo dia vejo gente reclamando de sua internet a cabo. E também tivemos o “apagão do Speedy” esse ano, lembram?

No meu caso, as coisas são um pouco piores. Sou uma profissional itinerante, faço homecare odontológico em idosos e portadores de necessidades especiais. Também me dedico à consultoria em mobilidade, cuidando de blog, podcast, dando palestras por todo o país, escrevendo em algumas revistas e comentando sobre tecnologia em uma rádio. Isso significa que igualmente preciso de meus dados quando estou viajando em ônibus ou aviões para que meu tempo gasto em deslocamentos seja produtivo.

Foi aí que entrou em cena minha dupla salvadora: Google Chrome e Google Gears.

Chrome, o novíssimo browser do Google, traz uma funcionalidade que vem muito a calhar na era da mobilidade: a possibilidade de transformar páginas da web em “mini-aplicativos” acessíveis a partir de atalhos em nossos computadores. E o Gears “salva” as informações contidas nesses “mini-aplicativos” para que sejam acessados de forma offline – inclusive em alguns OS de smartphones!

Um exemplo prático: gosto muito do gerenciador de tarefas Remember The Milk. É totalmente online, completo, poderoso, colaborativo e integra-se a uma pá de Vários serviços web, como Gmail, Twitter, entre outros.

Mas como acessar meus projetos durante uma viagem de avião, por exemplo? Ainda que eu esteja com uma página web aberta, se eu ficar offline não consigo transitar entre minhas abas e categorias.

Ao acessar o serviço no Chrome depois que se instala o Gears, eu tenho a opção de acessar tudo o que está armazenado na página. O Gears faz cópia em cache dos dados e, mesmo que você fique offline, poderá navegar sossegado entre seus itens:

Remember The Milk e Google Gears: opção de acesso aos dados offline

Imagine então o caso do Google Docs. Você está trabalhando num texto ou planilha, embarca e continua escrevendo mesmo offline. E, ao desembarcar, o Gears sincroniza tudo de volta para o servidor assim que você estiver conectado outra vez. O mesmo vale para o webmail do Gmail e uma série de outros serviços.

Claro que nem tudo é perfeito; uma série de dúvidas, principalmente no que diz respeito à privacidade, paira como um fantasma sobre a cabeça de muita gente. Mas se hoje dizemos que nossa vida está na “nuvem”, não seria exgero dizer que o serviço Gears e o browser Chrome são a ponte que nos levam ao céu…

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O Notebook, a Nuvem e o Outro lado

Olá pessoas, meu nome é Rafael Arcanjo e estou aqui abrindo a semana de convidados no UnderGoogle do meu amigo Nando Kanarski. Sem mais delongas, vamos ao que interessa.

Muita gente acompanhou o ocorrido que relatei no arcanjo.org há alguns dias a questão do furto do meu notebook. Foi uma situação complicada que eu espero que ninguém passe por ela. E também, um pouco antes, eu comentei um artigo do UnderGoogle e critiquei a forma que estava sendo colocado o  conceito de Cloud Computing que o Google estava propondo.

Aqui, eu vou tentar unir os dois artigos, colocando o outro lado do assunto: Como eu teria menos prejuízo caso utilizasse alguns aplicativos Google e o conceito de Cloud Computing.

Primeiramente, na minha opinião, o conceito de Cloud Computing nada mais é do que uma velha mania de dar nomes novos aos antigos conceitos que já existiam ou inevitavelmente seria o caminho natual das coisas, como a Web 2.0 (e a tal Web 3.0 que já bradam por aí aos quatro cantos).

Quem tem notebook sabe que guardamos muita informação no portátil. E que um bom backup é essencial sempre, tanto dos arquivos quanto dos emails. Abaixo algumas soluções que poderiam diminuir (e alguns até diminuiram) o prejuízo lógico.

E-mail

Muita gente já usa o e-mail do Google, o famoso Gmail. Porém, em casos como o meu que precisa utilizar o domínio próprio, algumas pessoas utilizam o provedor de e-mail do serviço de hospedagem. Porém, alguns não sabem que dá para utilizar, gratuitamente, a tecnologia de e-mail do Google o seu domínio personalizado, bastando utilizar o Google Apps. Assim, todos os meus e-mails, mesmo que eu os baixe ou envie com um cliente offline de mensagens, como o Thunderbird ou o Outlook, terei uma cópia do mesmo online, aproveitando os quase 8GB hoje disponibilizados.

Além disto, os contatos também estarão sempre online e salvos.

Neste caso eu me salvei, pois meus e-mails são praticamente todos do Google.

Leia um artigo sobre o Google Apps aqui no Undergoogle

Agora, uma dica: quem não tem um e-mail com a tecnologia do Google, pode utilizar o método de encaminhar para uma conta criada especificamente para Backup ou então utilizar o serviço de Pop para outras contas no gmail em Configurações – Contas. Para saber mais, leia aqui.

A pergunta é: você confiaria todos os seus e-mails no Google, inclusive os não Gmail ?

Backup

O mesmo Gmail pode ser utilizado como disco virtual para Backup dos arquivos no seu computador, utilizando de uma extensão chamada Gmail Drive. Ela cria um disco virtual em seu computador, tipo um pendrive, onde você se loga e tem permissão para armazenar o que quiser.

Depois de armazenado, os arquivos ficam disponíveis em sua conta do gmail, podendo ser acessados de qualquer lugar e a qualquer hora.

Neste caso eu me estrepei. Não havia configurado esta opção. Porém agora (só aprendemos apanhando) um HD externo já está a caminho.

A pergunta é: você confiaria todos os seus arquivos no Google?

Fotos

O PicasaWeb cumpre bem o papel de manter todas as fotos online (com limitação de até 1GB na conta grátis. Nos planos pagos o espaço é bem volumoso). Além de tudo, se integra bem com o Picasa instalado no computador, descobrindo as fotos automaticamente e permitindo que você faça o Upload de forma imediata, diminuindo os riscos de perda de algo importante.

Neste caso eu dancei em partes. Não usava o PicasaWeb, mas outros serviços de armazenagem de fotos (flickr). Porém, não foram todas as fotos que eu subi, então…

Documentos

O Google Docs é uma boa opção para armazenamento dos documentos, porém ainda tem muito o que melhorar no que diz respeito aos concorrentes Offline, como o Office 2007, e na hora de preservar a fidelidade dos arquivos que fazemos o upload. Tirando isto, pode ser uma boa pedida na hora que se precisa recuperar aquela planilha que você demorou tempos para desenvolver.

A pergunta é: você confiaria todos os seus documentos no Google, inclusive aquela planilha contendo senhas?

Porque eu estou pergutando sobre a confiança que você tem no Google? Hoje em dia a gigante é muito obscura, ninguém sabe ao certo o que o Google pretende com este amplo domínio, inclusive agora entrando no mundo dos celulares com o Android.  Esta questão da privacidade eles dizem quem levam muito a sério, mas provar isto ninguém provou até hoje. Espero que levem a sério mesmo é o lema da empresa: Don’t Be Evil !

Enfim, creio que com estes tipos de arquivos a salvo, o prejuizo é bem menor. Porém, a solução mesmo seria o tão esperado Google Drive, que parece que subiu no telhado e até hoje não foi lançado. Imagino que ele seria tipo o Gmail Drive que eu comentei acima, porém sem a limitação de tamanho do arquivo. Resolveria parte dos problemas, dependendo do tamanho disponibilizado para as contas free e se o valor para as contas pagas não ser muito abusivo. Porém ainda continuo preferindo um Hd Externo.

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